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SOBRE ABRIR OS OLHOS

Com toda certeza você não é o mesmo de um ano atrás. O seu gosto musical e pessoal mudou, você conheceu pessoas novas e consequentemente aprendeu um pouquinho com cada uma delas, mudanças aconteceram dentro de você e tudo, absolutamente tudo, serviu para que eu e você desabrochássemos. 
No entanto, não consigo aceitar que cresci. Pode achar que é mimo ou rebeldia mas, não me permito crer nas incontáveis vezes que disse ''Desta água não beberei.'' e por todas elas ter me embriagado, pelo meu interior ter mudado tanto quanto o meu exterior e pelas duras responsabilidades estarem chegando numa velocidade absurda.
Abrir os olhos dói, crescer dói.
E meio que de repente virou rotina acordar antes das sete, pensar num futuro incerto ao escovar os dentes, me encontrar perdida no meio da aula de filosofia, rabiscar na última folha do caderno e sentir-me vulnerável no meio de vinte e nove pessoas motivadas a qualquer momento começar uma revolução.

Não me recordo de quando ou como cheguei a conclusão de que o mundo é pesado demais para nossos ombros, ao abrir os olhos e notar o próprio crescimento a ficha finalmente cai e é exatamente aí que notamos que a "vida adulta" está batendo a porta, e que pela primeira vez não é permitido fingir não estar em casa, afinal é a hora de abrir os olhos e concordar que crescer machuca mas é necessário. 
Amadurecer, avançar, progredir ou qualquer outro sinônimo é quando você da conta que terá de despertar sozinha, que terá de seguir caminhos ainda não trilhados, que terá de fazer escolhas difíceis e que nem sempre desfrutará dos abraços de seus amigos e do olhar de aprovação dos seus pais. 

Crescer é na verdade compreender que o crescer interior não é imediato, pelo contrário, leva tempo e com o demorar peço para que eu e talvez você, não tenhamos medo de crescer lentamente. Tenhamos apenas medo de ficarmos parados inconsequentemente.


Todos os direitos do texto reservados a autora.

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